Obra singular Por Hiran de Melo Cada um de nós é uma obra em processo, nunca acabada, sempre atravessada por tensões que não são falhas, mas marcas da condição humana. Somos feitos de ambivalências: o desejo que aproxima e o medo que afasta, o acolhimento que abre e a recusa que protege. Não há plenitude, há sempre uma falta que nos move, um vazio que nos convoca a criar. Os que nos cuidaram deixaram em nós inscrições, projetos que pareciam caricaturas, mas que eram o melhor que podiam oferecer. O melhor deles era também o seu limite, e esse limite se tornou parte de nós. Não se trata de aceitar essas marcas como destino, mas de reconhecê-las como traços que nos estruturam. Só assim podemos deslocá-las, transformá-las, abrir espaço para que o desejo se reinscreva em novas formas. A vida é como a carona diante do abismo: aceitar pode facilitar a travessia, mas também aprisionar; recusar pode proteger, mas também impedir o movimento. Não há garantias, apenas o risco que aco...
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