A Luz que Escolhemos Alimentar Por Hiran de Melo Existe uma força silenciosa governando a qualidade da nossa existência. Ela não está nas circunstâncias, nem na sorte, tampouco nos acontecimentos que escapam ao nosso controle. Essa força habita o lugar mais íntimo da consciência e atende por um nome simples: atenção. A atenção é a luz da alma. Tudo aquilo que iluminamos com ela ganha contornos mais vivos, ocupa mais espaço dentro de nós e, pouco a pouco, passa a moldar a maneira como percebemos o mundo. Não porque a realidade tenha mudado, mas porque o olhar mudou. É por isso que duas pessoas podem atravessar o mesmo caminho e contar histórias completamente diferentes. Uma descreverá apenas os espinhos. A outra lembrará das flores que cresceram entre eles. Nenhuma das duas está necessariamente mentindo. Ambas apenas escolheram onde repousar a luz. Vivemos numa época em que os perigos são constantemente ampliados. As notícias enfatizam tragédias, as redes sociais recompens...
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Desejo e Silêncio Entre a Mordaça da Repressão e a Sabedoria da Contemplação Por Hiran de Melo “Talvez o Verdadeiro Controle dos Nossos Desejos Consista em Deixá-los em Silêncio”. - José Alênio Costumamos imaginar o controle dos desejos como uma luta. Uma batalha interna na qual a razão tenta dominar os impulsos, a disciplina procura vencer as tentações e a consciência busca impor ordem ao tumulto das paixões. Desde a Antiguidade, filósofos e mestres espirituais procuraram responder à mesma pergunta: como governar aquilo que deseja governar-nos? Talvez, porém, exista uma resposta mais sutil. Talvez o verdadeiro controle dos nossos desejos não consista em combatê-los nem em satisfazê-los, mas simplesmente em deixá-los em silêncio. À primeira vista, essa afirmação parece contraditória. Afinal, não seria o silêncio uma forma de repressão? Não seria apenas outra maneira de empurrar para as sombras aquilo que continua vivo dentro de nós? A resposta depende do t...
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O Controle dos Desejos Entre as Vozes do Inconsciente e a Liberdade da Consciência Por Hiran de Melo Costumamos acreditar que somos senhores absolutos de nossas escolhas. Quando alcançamos um objetivo, afirmamos com convicção: "Foi exatamente o que eu quis." Quando fracassamos ou agimos de forma contraditória aos nossos valores, frequentemente nos justificamos dizendo: "Nem sei por que fiz aquilo." Talvez as duas afirmações sejam apenas parcialmente verdadeiras. O ser humano é um território mais complexo do que costuma admitir. Há em nós desejos conscientes, mas também forças subterrâneas que operam longe da luz da razão. Há impulsos, medos, carências, fantasias, memórias e expectativas que influenciam silenciosamente nossas decisões. Foi justamente essa complexidade que Jacques Lacan procurou compreender ao afirmar que o sujeito não é senhor em sua própria casa. Para Lacan, o desejo não nasce simplesmente de uma escolha racional. Ele é constituído na ...
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Não Tem Mais Jeito O Desejo, a Falta e o Adeus ao "E Se" Por Hiran de Melo Existe uma frase que soa como uma sentença: "Não tem mais jeito. Acabou. Boa sorte." Ouvimos essas palavras e imediatamente algo dentro de nós se rebela. Porque o ser humano possui uma dificuldade profunda em aceitar os finais. Não apenas os finais dos relacionamentos. Não apenas os finais das oportunidades. Mas, sobretudo, o fim das fantasias. E talvez seja justamente isso que mais nos faz sofrer. A psicanálise de Jacques Lacan nos oferece uma chave importante para compreender esse fenômeno. Segundo Lacan, não vivemos apenas na realidade dos fatos. Vivemos também na realidade dos significados que construímos sobre os fatos. Quando algo termina, nem sempre sofremos pelo que aconteceu. Muitas vezes sofremos pelo que poderia ter acontecido. Não é a perda da pessoa. É a perda da história imaginária que escreveríamos com ela. Não é a perda do trabalho. É a ...
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O Pai Nosso dos Céus e o Pai Todo-Poderoso dos Impérios Por Hiran de Melo Existe uma diferença sutil, mas profunda, entre o Pai que Jesus chamava de "Nosso Pai" e o Deus que, séculos depois, muitos passaram a apresentar como o Senhor absoluto dos impérios religiosos. Talvez essa seja uma das maiores transformações ocorridas na história da espiritualidade. O Nazareno ensinava: "Pai nosso que estás nos céus..." Não dizia: "Meu Pai." Nem dizia: "Pai dos sacerdotes." Nem dizia: "Pai dos escolhidos." Nem dizia: "Pai do império." Dizia: "Pai nosso." Uma expressão simples. Mas revolucionária. Porque destrói imediatamente toda hierarquia espiritual baseada na exclusividade. Se Deus é nosso Pai, então somos irmãos. Se somos irmãos, ninguém é proprietário de Deus. Se ninguém é proprietário de Deus, nenhuma instituição pode reivindicar monopólio sobre o sagrado. Essa era uma ideia p...