Caro Pequeno Poeta, Ao percorrer seus versos, percebo que sua poesia é, acima de tudo, um mapa das buscas humanas. Você escreve como quem tenta dar corpo e sabor a algo que as palavras nem sempre alcançam, mas que o coração sente com intensidade plena. Notei que sua inspiração nasce, muitas vezes, da falta — e, em suas mãos, essa ausência se transforma em banquete: o desejo vira manteiga, chocolate e caramelo. É como se, ao provar esses sabores na alma, você conseguisse acalmar a inquietação que todos carregamos, convertendo saudade e querer em uma “degustação” suave e bela. Até mesmo um cheiro, trazido pelo que você chama de sopro divino, torna-se fio condutor capaz de ordenar o caos das emoções. Sua identidade também brilha quando se coloca diante do outro. No “encontro dos olhares”, você parece descobrir quem é; é no reflexo do olhar alheio que sua própria existência ganha contorno e vida. Essa segurança não vem apenas das pessoas, mas também do chão que você pisa. Ao afirmar ...
Postagens
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Entre a Cura e a Liberdade Por Hiran de Melo A máxima de que "a gratidão cura" carrega consigo uma verdade fisiológica e espiritual. Quando reconhecemos o bem, nosso corpo e mente entram em um estado de harmonia. Por lógica, a recíproca se impõe: a ingratidão, enquanto negação do laço e do reconhecimento, adoece. O peso do "não dito" e o amargor do esquecimento podem, de fato, intoxicar quem cultiva o ressentimento. Entretanto, a verdadeira maestria emocional não reside em cobrar o reconhecimento alheio, mas na gratuidade do gesto. A Liberdade de Amar sem Faturas Viver esperando o "obrigado" é escravizar a própria bondade. Quando condicionamos nossa ajuda à gratidão do outro, transformamos afeto em transação comercial. Para que o ato de dar seja pleno, ele precisa ser autossuficiente. Ø O Amor como Transbordamento: Amar "de graça" significa que o prazer está no ato de estender a mão, e não no retorno que ela pode trazer. Ø A Imu...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O que somos nós? Somos seres em trânsito Por Hiran de Melo Talvez sejamos, antes de tudo, memória de encantamento. Na infância, o mundo se abria como um livro de maravilhas: cada gesto era leve, cada instante carregava a promessa de descoberta. Éramos inteiros, sem máscaras, respirando a verdade daquilo que simplesmente existia. Mas também éramos coração entregue — como quando um olhar nos encontra, doidinho, paquerando a nossa essência. Nesse instante, tudo se torna sopro divino: o cheiro da vida, trazido do nada, faz e refaz o que somos. Com o tempo, porém, a vida nos veste de funções. Aprendemos a ser adequados, lógicos, respeitáveis. Tornamo-nos peças de um mecanismo que exige eficiência e aparência, e nesse processo a espontaneidade se recolhe, como se fosse um luxo que já não cabe no cotidiano. O que era essência se transforma em papel; o que era verdade se converte em representação. O mundo moderno, com sua pressa e racionalidade, nos empurra para um terreno cl...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O que somos nós? Um mosaico em constante rearranjo Hiran de Melo Talvez sejamos mais próximos de um enigma do que de uma resposta. Não uma unidade cristalina, mas um mosaico em constante rearranjo, feito de forças que se atraem e se repelem, de desejos que nos empurram e de limites que nos contêm. As camadas invisíveis ü Há em nós um fogo primitivo, que clama por prazer imediato. ü Há também uma razão vigilante, que tenta domar esse fogo e dar-lhe forma. ü E há uma voz silenciosa, impregnada de valores e culpas, que nos julga e nos orienta. Nossa identidade nasce do choque entre essas dimensões. Somos atravessados por correntes subterrâneas, por desejos que não ousamos confessar, mas que nos guiam como rios ocultos sob a terra. O inconsciente como abismo Grande parte do que nos move não se mostra à luz. Memórias soterradas, traumas que ainda respiram, fantasias que não ousam se revelar — tudo isso pulsa em silêncio, moldando quem somos sem...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O Que Somos Nós? Somos Encontros em Florescimento Por Hiran de Melo Não somos apenas mentes que processam o mundo. Somos a expressão de uma vida que vibra, uma luz mansa que nos atravessa em forma de afeto, sonho e propósito. Essa energia não ignora a razão; ela a convida para uma dança, sendo o pulsar generoso que sustenta nossos passos, o ritmo sutil que nos lembra que estamos vivos e que nunca estamos sós. O que vemos ao nosso redor não é um véu que nos separa da verdade, mas uma ponte. O mundo é o jardim onde nossa essência se manifesta. O corpo não é apenas uma porta para o mistério, mas o lugar onde o milagre acontece: é nele que o toque se transforma em conforto e o olhar se converte em acolhimento. Cada gesto de carinho é a linguagem dessa força vital que escolhe, todos os dias, o caminho do amor. Fragmentos que se Tecem Somos, sim, fragmentos em movimento, mas não estamos perdidos. Somos partes de um todo maior, guiados por uma intuição que sabe que a felicid...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O que somos nós? Somos singularidades em movimento Por Hiran de Melo A pergunta não busca uma essência fixa, nem uma verdade última. Ela abre um espaço de silêncio e de inquietação, convidando-nos a olhar para os caminhos que nos moldam. Não nascemos prontos: vamos nos tornando, atravessados por discursos, memórias, afetos e forças invisíveis que nos constituem. Não somos sujeitos acabados, mas singularidades em movimento. Talvez a questão não seja “quem somos?”, mas “o que estamos fazendo de nós mesmos?”. Somos obra em processo, escrita em aberto, sempre à beira de se refazer. O presente como campo de investigação Interrogar o presente é como escavar um terreno vivo: nele se revelam as condições que nos formam, os saberes que nos orientam, os valores que nos atravessam. Não se trata de alcançar uma verdade definitiva, mas de abrir espaço para a metamorfose, para a invenção de modos de existir que escapem ao que aprisiona. Ética como criação de si A ética, nesse ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O que somos nós? Um enigma que se desdobra em silêncio Hiran de Melo A pergunta ecoa como um enigma que nunca se resolve por completo. Somos razão e liberdade, capazes de criar princípios que nos guiam e de assumir responsabilidade por nossas escolhas. Não apenas parte da natureza, mas também autores de uma lei moral que nos transcende. Habitamos duas dimensões: o mundo visível, feito de corpo e experiência, e o invisível, onde repousa uma essência que escapa ao nosso alcance. Essa duplicidade nos torna limitados e, ao mesmo tempo, infinitos em dignidade. Nosso conhecimento é finito: vemos apenas o contorno das coisas, nunca sua essência última. Mas reconhecer esse limite é força, pois nos abre à crítica e ao uso consciente da razão. Cada ser humano é um fim em si mesmo, portador de valor absoluto. Não há preço que nos defina, apenas dignidade. As grandes perguntas Ø O que posso saber? O nosso olhar alcança apenas o mundo dos fenômenos, mas ainda assim org...