Postagens

Imagem
  O Crepúsculo dos Ídolos Externos A Desolação do Messianismo e a Escolha da Interioridade Por Hiran de Melo Por que, após dois milênios de um silêncio ensurdecedor dos céus e do desfile fúnebre de profetas mortos, a humanidade ainda mendiga por um salvador? Talvez a resposta não repouse nas nuvens, mas na vertigem que sentimos ao olhar para o abismo de nossa própria liberdade. O homem prefere a escravidão de uma espera vã à angústia de ser o único responsável por seus passos. A Patologia da Fuga: O Delírio de Jerusalém A persistência da esperança messiânica não é uma virtude teológica; é a confissão de uma impotência clínica. Todos os anos, na "Cidade Santa", a máscara do mito devora o rosto do homem comum. É a Síndrome de Jerusalém : contadores, engenheiros e profissionais graduados em geral, exaustos de serem apenas eles mesmos, sucumbem ao peso do cenário bíblico. Enrolam-se em lençóis e gritam profecias com a "certeza absoluta" de quem encontrou uma saída para ...
Imagem
  O Desejo Messiânico e a Construção de uma Sociedade Autêntica à Luz da Maçonaria Da Pedra Bruta à Luz Interior: um chamado à obra coletiva Por Hiran de Melo A ideia de um Messias, longe de ser apenas uma figura religiosa ou histórica, pode ser compreendida como símbolo de um impulso humano universal: o desejo de transformação, de libertação e de sentido. Esse desejo, quando visto à luz da Maçonaria, revela-se como um chamado interior para que cada iniciado reconheça em si a centelha que o torna capaz de participar da obra coletiva de construção de uma sociedade mais justa e verdadeira. O Messias Interior e o Trabalho Iniciático Na tradição maçônica, não se espera por um salvador externo. O verdadeiro trabalho é o de despertar o Messias interior — a força criadora que habita em cada ser humano. Esse despertar não é instantâneo, mas fruto de estudo, reflexão e prática constante. Assim como o aprendiz lapida a pedra bruta, o iniciado é chamado a transformar-se por dentro, ...
Imagem
  Sionismo e Resistência Palestina — A Repetição da Máquina de Guerra Por Hiran de Melo A genealogia da rebelião, que começa na Judeia do século I com Judas, o Galileu, encontra sua reinscrição no século XX com o surgimento do sionismo político e a fundação do Estado de Israel. Assim como Judas transformou a fé em mandamento de guerra contra Roma, o sionismo transformou narrativas bíblicas em projeto territorial, legitimando a colonização da Palestina como retorno sagrado à terra prometida. O Sionismo como Dispositivo de Poder O sionismo, inicialmente concebido como movimento de emancipação judaica na Europa, converteu-se em dispositivo colonial. A criação do Estado de Israel em 1948 não foi apenas um gesto de soberania, mas uma operação de desapropriação. Aldeias palestinas foram destruídas, populações expulsas e territórios redesenhados por mapas ideológicos. Como o censo romano, o sionismo operou pela estatística, pela demarcação e pela expulsão sistemática — uma tecnolo...
Imagem
  Genealogia da Rebelião — Entre Fé, Poder e Discursos Por Hiran de Melo A separação entre política e religião é uma invenção recente. No mundo antigo, fé e poder eram indissociáveis, e os discursos religiosos funcionavam como dispositivos de controle e resistência. Judas, o Galileu, não foi apenas um insurgente contra Roma; foi um produtor de uma gramática que transformou a crença em mandamento de guerra. Sua frase — “Não temos rei senão Deus” — inaugurou uma lógica que atravessaria séculos: a fusão entre teologia e insurreição. O Censo como Dispositivo O censo de Quirino, em 6 d.C., não era mera contagem populacional. Era uma tecnologia de poder: transformar vidas em números, converter o sagrado em estatística, submeter corpos ao cálculo imperial. Judas, ao recusar esse mecanismo, abriu uma fissura discursiva que redefiniu a relação entre fé e dominação. A resistência não era apenas política, mas teológica. A Produção dos Zelotes Os Zelotes surgiram como sujeitos mol...
Imagem
  A Produção da Rebelião e a Economia do Messianismo Por Hiran de Melo Introdução: quando o trono vacila, os corpos falam O ano 4 a.C., marcado pela morte de Herodes, o Grande, não representa apenas o fim biológico de um soberano, mas a desarticulação de uma tecnologia de poder baseada no medo, na vigilância e na punição exemplar. O corpo apodrecido do rei, descrito algumas vezes como inchado e corroído, torna-se metáfora da decomposição do regime que ele sustentava. Com sua morte, abre-se um vácuo político — mas, mais profundamente, abre-se uma crise de legitimidade. É nesse interstício que emergem figuras como Simão de Pereia, Atronges e Judas, o Galileu. Não são meros insurgentes: são efeitos de um campo de forças no qual poder, discurso religioso e violência se entrelaçam. Cada um, à sua maneira, reconfigura a pergunta fundamental: quem tem o direito de governar? 1. Simão de Pereia: o gesto soberano como ruptura simbólica Antigo escravo de Herodes, Simão realiza um ...
Imagem
  Poder, Violência e Verdade no Primeiro Século Por Hiran de Melo A história consagrou um nome e silenciou muitos outros. Aprendemos a enxergar o Nazareno como um ponto de ruptura, um acontecimento isolado que dividiu o tempo em antes e depois. No entanto, essa narrativa linear e pacificada não nasce do acaso; ela é fruto de um processo de seleção, organização e legitimação dos discursos. O que chamamos de “história oficial” é menos um espelho neutro do passado e mais o resultado de disputas pelo direito de dizer o que foi — e o que deve ser lembrado. A Judeia do primeiro século não era um deserto silencioso à espera de uma revelação singular. Era um campo saturado de vozes, promessas e insurreições. O ar da Galileia estava impregnado de expectativas messiânicas. A palavra Mashiach — ungido — não evocava um redentor espiritual etéreo, mas um rei guerreiro, um estrategista político, um restaurador da soberania nacional. A esperança era concreta, territorial, sangrenta. Tratav...
Imagem
  A Sombra dos Messias A Febre do Espírito e a Arqueologia da Redenção Por Hiran de Melo Muitas vezes, a narrativa institucional apresenta-nos o Nazareno como um acontecimento suspenso, uma anomalia de luz num deserto de silêncio. Contudo, ao escutarmos as pedras e os pergaminhos esquecidos, descobrimos uma Judeia que não conhecia a paz: um "matadouro sob o céu", onde o ar estava saturado pela respiração ofegante de profetas, magos e rebeldes que clamavam para si o peso da Eleição. Jesus não surgiu num vácuo; ele caminhou sobre um solo em chamas, numa terra onde o messianismo era uma epidemia do espírito, uma resposta visceral à trituração da esperança sob o ferro de Roma. O Messias: Do Guerreiro ao Arquétipo Político Para penetrar neste mistério, urge despir o Messias das suas vestes angelicais de seda moderna. No alvorecer da nossa era, Mashiah — o Ungido — não evocava uma redenção etérea, mas o cheiro da terra e do sangue. Esperava-se um novo David: um monarca d...