O SEU OLHAR Por Hiran de Melo “Tenho contemplado, ao longo desses dias, o seu olhar. O olhar que pulsa nos olhos vivos e o olhar que repousa em tela. Em cada tela, você escolhe um deles, um dos olhos, e o oferece como espelho. São muitas telas, muitas versões. A mesma imagem, mas semblantes distintos. É o olhar que tudo vê, que tudo contempla, que tudo enxerga. Perto ou longe, distante ou íntimo. Ontem, porém, você me mostrou uma tela que não apenas impacta, mas desarma. Uma tela que não apenas instiga, mas suspende. Uma tela que não apenas transcende, mas se enraíza no mais humano. Lá estava um olho só, como sempre, mas desta vez o globo ocular estava fora. Fora do olho, fora do lugar. Era o olho esperando o globo ocular, e o globo ocular fora, exposto, separado, mas ainda retratado. Havia um vazio guardando sua forma, como se fosse um encaixe perfeito, pronto para recebê-lo de volta. Esse vazio não era ausência, mas promessa. Era espaço de leitura infinita, espaço de in...