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    Buscando Sentido na Vida CAMINHAR, CAIR, LEVANTAR E CONTINUAR O valor silencioso de quem aprende a transformar a própria existência Por Hiran de Melo Há batalhas que ninguém vê. Noites em que o sono não vem, pensamentos que se acumulam no silêncio e dias em que até o menor passo exige uma força que nem nós mesmos sabíamos possuir. São momentos em que a vida parece nos pedir mais do que temos para oferecer, mas, ainda assim, encontramos alguma razão para continuar. Nem sempre essa razão tem nome. Às vezes, é apenas uma inquietação que nos impede de desistir, uma pequena esperança que resiste ou a certeza, ainda que confusa, de que a história não terminou. Caminhar não significa conhecer o destino. Significa aceitar que a estrada se revela enquanto avançamos. Há quem caminhe depressa, movido pela urgência de chegar; há quem precise diminuir o passo para compreender o que está vivendo. Nenhum ritmo, por si só, determina a grandeza da jornada. O problema começa qua...
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   Buscando Sentido na Vida Caminhos, Gratidão e Sentido da Vida Entre os sonhos que realizamos e a vida que simplesmente acontece Por Hiran de Melo Meu amigo e mestre Marçal costumava contar uma história que guardo na memória. Aos dezessete anos, calçando apenas uma sandália japonesa, começou a trabalhar espalhando piche quente sobre o chão, preparando o caminho para que outros viessem lançar o asfalto. O calor era tão intenso que ele se sentia caminhando sobre uma chapa de fogão. Foi naquele desconforto, com as mãos sujas de piche, que olhou para o céu e fez seus pedidos à vida. Um dia teria uma casa, uma mulher a quem pudesse amar, escreveria um livro e conseguiria um bom emprego. Os anos passaram. Já aposentado, Mestre Marçal gostava de recordar aqueles sonhos. Havia construído sua casa, escrito seu livro, encontrado uma mulher a quem amava e conquistado o emprego que desejava. Tinha também uma bela motocicleta, daquelas que pareciam feitas à medida de seu porte....
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   SOMBRAS E MEDOS O Medo é o Contrário do Amor Sobre a porta sem tranca do sertão e o tempo que aprendeu a trancá-la Por Hiran de Melo Existe, na memória do sertão, uma casa cuja porta nunca teve chave. Não por ingenuidade. Quem vive onde a seca ensina a medir cada gota sabe o valor do que guarda. Mas aquela casa guardava outra coisa: a certeza de que, do lado de fora, havia gente, e não ameaça. Talvez seja isso o que o livro Histórias do meu Avô nos devolve, sem pretender. A lembrança de um tempo em que o medo ainda não governava a casa. O irmão que assumiu o nome Um filho nasce de um momento de paixão que não cabia no casamento. O verdadeiro pai se cala. E um irmão solteiro dá um passo à frente e diz: é meu . Ninguém exige exame. Ninguém abre processo. A criança é acolhida pela família do pai legal, o casamento se preserva, e o segredo dorme décadas, até que todos os que poderiam ser feridos por ele já repousam. Hoje, chamaríamos isso de hipocrisia. Talvez fosse. Talvez fo...
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  SOMBRAS E MEDOS A Mão no Escuro Entre a razão que acende a luz e a fé que aprende a enxergar Por Hiran de Melo Toda criança conhece o quarto escuro. Não é a escuridão que a assusta. É o que ela imagina dentro dela. E, quase sempre, o que a acalma não é uma explicação. É uma mão. Talvez a história da religião comece assim: com o medo da morte, da dor, do desconhecido, e com a necessidade de segurar alguma coisa na noite. Bertrand Russell e Nietzsche olharam para essa mão estendida e viram nela um sintoma. Não um remédio, mas a marca de uma fragilidade. "A religião é uma doença do medo", resumiu a crítica. A frase é dura. E seria desonesto fingir que não há verdade nela. O que o medo construiu Houve tempo em que o trovão era um deus irado, e o deus irado, um modo de dar nome ao pavor. Houve tempo em que o medo aprendeu a se organizar. Ganhou templos, hierarquias, tarifas. Fez do inferno um argumento e da culpa, uma moeda. Passou a vender a luz a quem tinha med...
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  SOMBRAS E MEDOS LEALDADE, SEGURANÇA E ABERTURA AO NOVO Entre a fidelidade ao caminho conhecido e a coragem de descobrir outros horizontes Por Hiran de Melo Há coisas na vida que não precisam ser novas para continuarem valiosas. Uma velha picape, por exemplo, pode guardar mais sabedoria sobre estradas do que muitos modelos recém-saídos da fábrica. Conhece os buracos, enfrenta as trilhas, responde aos comandos e, depois de tantos anos de convivência, parece compreender até o silêncio de quem a conduz. Existe, nessa relação, algo que ultrapassa o valor material. Existe uma história compartilhada, uma confiança construída pelo tempo e uma espécie de lealdade que não precisa ser anunciada para se fazer presente. Talvez seja assim também com as pessoas, as ideias e as instituições às quais dedicamos parte da vida. A lealdade não é simplesmente permanecer. É reconhecer o valor daquilo que caminhou conosco, sem transformar a gratidão pelo passado em obrigação de permanecer pa...
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  SOMBRAS E MEDOS O MEDO E A RELIGIÃO Entre a necessidade de consolo e a coragem de viver sem todas as respostas Por Hiran de Melo Diante da morte, da doença e do desconhecido, o ser humano sempre procurou explicações, proteção e esperança. Talvez encontremos nesse encontro entre o medo e a necessidade de compreender a existência algumas das raízes da religião. Mas uma pergunta permanece: a religião nos ajuda a superar o medo ou, em certos momentos, utiliza-o para nos manter sob seu domínio? Bertrand Russell confiava na razão como instrumento para enfrentar as ilusões produzidas pela insegurança humana. Nietzsche questionava uma religiosidade que transforma a fragilidade em virtude e a submissão em mérito espiritual. Por caminhos diferentes, ambos nos convidam a desconfiar das certezas que exigem, como preço da segurança, a renúncia à liberdade de pensar. Quando o inferno se torna instrumento de controle, a culpa alimenta a submissão e a salvação é oferecida em troca de...