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  SOMBRAS E MEDOS AS VOZES QUE VÊM DAS SOMBRAS Quando confundimos as marcas do passado com aquilo que somos Por Hiran de Melo Há vozes que não nasceram conosco, mas que, de tanto habitarem nossos pensamentos, adquiriram a aparência da nossa própria voz. Não sabemos exatamente quando chegaram, nem em que momento deixamos de reconhecê-las como palavras de outros para aceitá-las como verdades sobre nós mesmos. Elas vêm das sombras da memória. Trazem consigo gestos esquecidos, olhares de reprovação, risos que nos constrangeram e palavras que nos diminuíram. Algumas nasceram numa infância em que ainda não sabíamos distinguir nosso valor do julgamento alheio. Outras foram alimentadas ao longo da vida, cada vez que procuramos aprovação e encontramos rejeição. O tempo passa. Crescemos, mudamos de endereço, de profissão, de amizades e de maneira de compreender o mundo. Entretanto, certas experiências permanecem em nós como se o calendário não tivesse autoridade sobre elas. Eis u...
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   Buscando Sentido na Vida O MUNDO SENSÍVEL E A PERCEPÇÃO CONCEITUAL Quando o nome das coisas nos faz esquecer o milagre de sua existência Por Hiran de Melo Qual foi a última vez que você contemplou uma rosa? Não me refiro ao instante em que seus olhos passaram por ela, nem ao momento em que reconheceu sua forma, identificou sua cor ou pronunciou mentalmente o seu nome. Pergunto quando foi a última vez que você realmente esteve diante de uma rosa, sem a pressa de reconhecê-la, sem a necessidade de classificá-la, sem permitir que a familiaridade roubasse de você o espanto de sua existência. Talvez tenha sido há poucos dias. Talvez há meses. Você a viu, reconheceu-a e seguiu adiante. Afinal, era apenas uma rosa. Mas o que significa esse apenas? Em algum momento da vida, aprendemos a nomear as coisas. Descobrimos que aquilo possui pétalas, perfume, caule e espinhos. Aprendemos a distinguir uma espécie de outra, a conhecer seus ciclos, suas necessidades e até o temp...
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  Buscando Sentido na Vida EU SOU É UMA ILUSÃO Sobre o personagem que criamos e o ser que esquecemos de reconhecer Por Hiran de Melo Todas as manhãs, antes mesmo de abrirmos os olhos, o personagem já está em cena. Ele sabe o próprio nome. Sabe o que pensa, o que defende, o que não perdoa. Entra no dia com a segurança de quem esqueceu que está representando. Talvez a mais persistente ilusão humana seja acreditar que sabemos quem somos. Pronunciamos a palavra eu com uma segurança desconcertante. Dizemos eu penso , eu sinto , eu acredito , eu sou assim . Defendemos nossas opiniões como quem protege a própria existência, reagimos às discordâncias como se estivessem ameaçando nossa integridade e carregamos, ao longo dos anos, uma imagem de nós mesmos que julgamos ser a expressão definitiva de nossa identidade. Raramente, porém, interrompemos o movimento dos pensamentos para examinar a natureza daquele que diz eu . Quem sou eu, afinal, quando retiro de mim os nomes que r...