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  Buscando Sentido na Vida O AMOR NÃO É UMA PRISÃO Entre o desejo de ser amado e o medo de deixar de existir no outro Por Hiran de Melo Há uma diferença entre amar alguém e precisar desse alguém para suportar a própria existência. Nem sempre percebemos quando atravessamos essa fronteira. Começamos desejando a companhia, descobrimos a alegria de compartilhar a vida e, sem perceber, fazemos do outro a razão pela qual nossa vida parece ter sentido. Então, o amor começa a carregar um peso que não lhe pertence. Já não tememos apenas a partida de quem amamos. Tememos o que restará de nós quando essa presença desaparecer. Como se, ao perder o outro, perdêssemos também a pessoa que nos tornamos aos seus olhos. Talvez a dependência emocional seja isso: entregar a alguém o poder de confirmar nossa existência e, depois, viver com medo de que essa confirmação nos seja retirada. Não há, entretanto, nada de errado em precisar de afeto. Somos feitos também dos encontros que nos atra...
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Buscando Sentido na Vida A VIDA ETERNA ACONTECE AGORA O presente é o lugar onde a existência toca o infinito. Por Hiran de Melo Há uma inquietação que acompanha o ser humano desde que ele começou a perguntar pelo sentido da própria existência: o que é a eternidade? Para muitos, ela é uma promessa reservada àqueles que atravessarem os limites da morte. Para outros, é uma recompensa que se encontra depois desta vida, em algum lugar para além do mundo que conhecemos. Mas será que, ao procurar a eternidade tão longe, não estamos deixando de perceber aquilo que nela já nos alcança? Talvez a eternidade não seja apenas um lugar para onde iremos. Talvez seja uma experiência que começa quando deixamos de fugir do instante que estamos vivendo. Em Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, C. S. Lewis constrói uma provocação que merece nossa atenção: o ser humano pode ser afastado do essencial sem precisar cometer grandes pecados. Basta que deixe de habitar o presente. Que passe a viver prisi...
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   O que somos nós? A MAÇONARIA ENTRE A LIBERDADE E O LIMITE Quando a diferença deixa de ser ameaça e se torna aprendizagem Por Hiran de Melo É comum afirmarmos que a Maçonaria é uma instituição de livres-pensadores. Mas talvez precisemos ir além da beleza dessa expressão e enfrentar uma pergunta que nem sempre fazemos a nós mesmos:  Gostamos da liberdade que nos permite falar. A dificuldade começa quando ela concede ao outro o direito de dizer aquilo que não gostaríamos de ouvir. É nesse momento que a liberdade deixa de ser uma palavra bonita e se transforma em exercício de consciência. Ser livre não significa viver sem limites, mas compreender quais deles protegem a convivência e quais são impostos para controlar o pensamento. Há uma diferença fundamental entre a regra que preserva a dignidade de todos e a exigência de que todos se submetam à maneira de pensar de alguns. A primeira torna possível a liberdade compartilhada. A segunda transforma a fraternida...
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  O que somos nós? OS SONS DA FALA E OS LIMITES DO ENTENDIMENTO O que os ouvidos escutam nem sempre é aquilo que a consciência consegue compreender. Por Hiran de Melo Há uma diferença entre ouvir os sons de uma língua e compreender aquilo que alguém deseja dizer. Os ouvidos recebem vibrações, reconhecem ritmos, distinguem vozes. Mas o entendimento exige algo mais: a capacidade de relacionar o que escutamos com aquilo que já conhecemos, com nossas experiências e com os sentidos que aprendemos a atribuir às palavras. Essa diferença pode ser percebida na relação entre o português e o espanhol. Embora sejam línguas próximas, nascidas de uma mesma raiz latina, elas guardam particularidades sonoras que favorecem ou dificultam a compreensão recíproca. Muitos brasileiros conseguem acompanhar uma conversa em espanhol sem nunca terem estudado formalmente o idioma. Já um falante nativo de espanhol pode encontrar dificuldades para distinguir certas vogais, nasalizações e consoantes do ...
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  SOMBRAS E MEDOS AS VOZES QUE VÊM DAS SOMBRAS Quando confundimos as marcas do passado com aquilo que somos Por Hiran de Melo Há vozes que não nasceram conosco, mas que, de tanto habitarem nossos pensamentos, adquiriram a aparência da nossa própria voz. Não sabemos exatamente quando chegaram, nem em que momento deixamos de reconhecê-las como palavras de outros para aceitá-las como verdades sobre nós mesmos. Elas vêm das sombras da memória. Trazem consigo gestos esquecidos, olhares de reprovação, risos que nos constrangeram e palavras que nos diminuíram. Algumas nasceram numa infância em que ainda não sabíamos distinguir nosso valor do julgamento alheio. Outras foram alimentadas ao longo da vida, cada vez que procuramos aprovação e encontramos rejeição. O tempo passa. Crescemos, mudamos de endereço, de profissão, de amizades e de maneira de compreender o mundo. Entretanto, certas experiências permanecem em nós como se o calendário não tivesse autoridade sobre elas. Eis u...
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   Buscando Sentido na Vida O MUNDO SENSÍVEL E A PERCEPÇÃO CONCEITUAL Quando o nome das coisas nos faz esquecer o milagre de sua existência Por Hiran de Melo Qual foi a última vez que você contemplou uma rosa? Não me refiro ao instante em que seus olhos passaram por ela, nem ao momento em que reconheceu sua forma, identificou sua cor ou pronunciou mentalmente o seu nome. Pergunto quando foi a última vez que você realmente esteve diante de uma rosa, sem a pressa de reconhecê-la, sem a necessidade de classificá-la, sem permitir que a familiaridade roubasse de você o espanto de sua existência. Talvez tenha sido há poucos dias. Talvez há meses. Você a viu, reconheceu-a e seguiu adiante. Afinal, era apenas uma rosa. Mas o que significa esse apenas? Em algum momento da vida, aprendemos a nomear as coisas. Descobrimos que aquilo possui pétalas, perfume, caule e espinhos. Aprendemos a distinguir uma espécie de outra, a conhecer seus ciclos, suas necessidades e até o temp...