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    Espiritualidade e Existencialismo A luz que acolhe Por Hiran de Melo Às vezes recebemos uma mensagem que nos deseja uma noite de paz, fala de pensamentos positivos, de boas energias, de meditação e do amor de Jesus. E há, nisso, uma intenção bonita: desejar o bem. Talvez, porém, possamos ir um pouco além. Nem todo pensamento triste precisa ser afastado. Nem toda dor é uma energia negativa que devemos evitar. Há momentos em que o coração precisa simplesmente ser escutado. O luto precisa de tempo. A tristeza precisa de acolhimento. A indignação pode nos lembrar que alguma coisa precisa mudar. E até o medo, quando compreendido, pode nos ensinar alguma coisa sobre nós mesmos. Talvez a verdadeira serenidade não esteja em expulsar tudo aquilo que nos incomoda, mas em aprender a olhar para aquilo que nos habita sem transformar a nossa dor em culpa. Também a fé pode ser mais do que uma palavra bonita no final de uma mensagem. Quando invocamos o amor de Jesus, ...
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    Espiritualidade e Existencialismo Silêncio e Morte em Vida Quando o Eu encontra o silêncio Por Hiran de Melo O testemunho de Jean-Yves Leloup abre uma passagem muito fértil para pensar a experiência de morte em vida não apenas como um acontecimento extraordinário, mas como uma ruptura na maneira habitual de compreender quem somos. Há momentos em que a vida nos coloca diante daquilo que passamos a vida inteira tentando evitar. Não é necessariamente a morte do corpo. Às vezes, é a morte de uma certeza. A morte de uma imagem. A morte de um nome que acreditávamos ser nosso. A morte daquele pequeno “eu” ao qual entregamos tantos desejos, medos, ambições e justificativas. Talvez seja por isso que algumas experiências de quase morte sejam tão perturbadoras. Elas não parecem apenas aproximar o ser humano da morte. Elas parecem aproximá-lo de uma pergunta muito mais antiga: quem somos quando já não podemos nos apoiar naquilo que pensamos ser? Jean-Yves Lelou...
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  Espiritualidade e Existencialismo CAMINHAR JUNTOS Por Hiran de Melo Os anos passam. E talvez a maior transformação não esteja no rosto que o espelho devolve, mas naquilo que aprendemos a compreender sobre nós mesmos e sobre o outro. Já não somos aqueles que um dia se encontraram. O tempo levou algumas ilusões, acrescentou algumas rugas e deixou cicatrizes onde antes havia apenas desejo. Aprendemos, pouco a pouco, que amar não é apenas sentir. É permanecer . No começo, o amor tem pressa. Procura o beijo, deseja o abraço, quer a presença inteira do outro. Tudo parece urgente, porque ainda não sabemos quanto tempo teremos. Depois, a vida ensina outra linguagem. O amor amadurece quando descobrimos que caminhar juntos não significa seguir no mesmo ritmo, nem pensar com as mesmas palavras. Significa não transformar a diferença em distância . Há dias em que um caminha mais depressa. Há outros em que precisa parar. E então o outro espera. Porque, numa vida compa...
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Espiritualidade e Existencialismo PEDALAR JUNTOS Por Hiran de Melo No começo, pedalamos depressa. Havia pressa no caminho, urgência no encontro, e nossas mãos se procuravam como se o mundo pudesse acabar amanhã. Depois vieram os anos. E aprendemos que pedalar juntos não significa correr na mesma direção. Significa saber diminuir o ritmo quando o outro precisa . É esperar. É compreender. É permanecer. Porque haverá dias em que você estará forte e eu estarei cansado. E haverá dias em que será a minha mão aquela que você precisará segurar. Talvez seja isso que o tempo ensina: a amizade não precisa permanecer igual ao que era. Precisa apenas permanecer verdadeira. Porque o tempo não conserva as relações. Ele as revela. Mostra quem permanece quando a velocidade diminui, quando o entusiasmo passa e quando o caminho deixa de ser fácil. Um dia, talvez nossos pedais girem mais lentamente. Mas, se ainda houver uma mão procurando a outra, se ainda hou...
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  Espiritualidade e Existencialismo A Ingratidão e a escolha de ser Por Hiran de Melo “O ser humano é ingrato por natureza?” Talvez não. Talvez a ingratidão não seja nossa natureza, mas uma das sombras que podem crescer quando deixamos de trabalhar a própria pedra. O homem nasce incompleto. Recebe a pedra bruta e, ao longo da vida, escolhe o que fará dela. Pode transformá-la em templo. Pode deixá-la permanecer pedra. Por isso, a ingratidão não é destino. É escolha. E existe algo ainda mais perigoso: permitir que a ingratidão dos outros nos torne semelhantes a eles. Alguém nos decepciona, e passamos a desconfiar de todos. Alguém não agradece, e deixamos de servir. Alguém não reconhece nosso gesto, e abandonamos a fraternidade. Nesse instante, a pedra do outro começa a ser levantada dentro de nós. O verdadeiro trabalho está em não permitir isso. O bem que fazemos não pode depender da gratidão que recebemos. A semente não pergunta à terra se será lembrada quando ...
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  Quem somos nós O Relógio e a Advertência do Irmão Por Hiran de Melo Há uma luz específica que só existe nas telas de celular às vésperas de um encontro importante. Não é a luz do dia, nem a do sono. É a luz de quem, mesmo aposentado, ainda se organiza para servir. Foi nessa luz que os dois se encontraram. Não presencialmente — o corpo já não corre com a pressa de antes —, mas na tela pequena onde cabem, ainda assim, décadas de irmandade. Dois homens que atravessaram o tempo lado a lado, um caminho de aventais e colunas, de silêncios ensinados e palavras pesadas na medida certa. Dois velhos amigos maçons, tratando, como tantas vezes trataram, do que parece pequeno: o horário de uma reunião. Mas nada, entre eles, era pequeno de verdade. Um escrevia como quem prepara o terreno para uma cerimônia dupla — de um lado, a justa homenagem a um irmão querido; do outro, a sessão magna, onde os mistérios antigos se repetem como se fossem a primeira vez. — Quem irá lhe saudar...