Ainda Buscando o Sentido da Vida
Por Hiran de Melo
Tenho
73 anos já vividos. Talvez ainda tenha muito mais para viver. Carrego nas
costas uma vida inteira de histórias, encontros e desencontros, momentos em que
servi ao outro com dedicação e amor, mas também instantes em que me esqueci de
mim. Hoje, ao olhar para trás, percebo que compreendo melhor o caminho que
percorri; mas ao olhar para frente, sinto que ainda há muito a viver — e,
sobretudo, muito a me encontrar.
O Peso da Experiência
A
idade me ensinou que o tempo não é apenas um acúmulo de dias, mas uma lapidação
da alma. Cada dor, cada angústia, cada escolha errada ou acertada deixou marcas
que me moldaram. E, mesmo com toda essa bagagem, percebo que o sentido da vida
não se esgota naquilo que já vivi. Ele continua a se renovar, como se a
existência fosse um livro que ainda não terminou de ser escrito.
O Desejo de Autenticidade
Passei
décadas acreditando que servir ao outro era suficiente para dar sentido à minha
caminhada. E há beleza nisso: cuidar, doar-se, ser presença. Mas agora, aos 73,
sinto que há uma parte de mim que ainda clama por algo mais íntimo, mais
visceral: o desejo de me apaixonar. Não falo apenas da paixão romântica, mas
daquela chama que reacende o coração, que faz os olhos brilharem e devolve ao
corpo a sensação de estar vivo.
Liberdade e Angústia na Maturidade
A
liberdade, que tantas vezes me assustou na juventude, continua sendo um
desafio. Escolher-se, mesmo na velhice, é um ato de coragem. A angústia não
desaparece com os anos; ela apenas muda de forma. Hoje, ela se manifesta na
pergunta: ainda é possível reinventar-se? Ainda é possível viver um amor que me
faça sentir inteiro? A resposta que encontro dentro de mim é: sim, é possível.
Enquanto houver vida, há escolha.
O Salto que Ainda Me Espera
O
sentido da vida, para mim, não está apenas em olhar para trás com gratidão, mas
em ousar dar um salto para frente. Um salto que me permita não apenas servir,
mas também ser servido pelo amor, pela paixão, pela descoberta de que nunca é
tarde para se encontrar. Aos 73 anos, na esperança quase juvenil de quem ainda
acredita, percebo que a existência continua a me convidar para o risco — para o
desequilíbrio momentâneo que antecede a plenitude de ser quem realmente sou.
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