A Morada do Ser
Por Hiran de Melo
O
Despertar para a Autenticidade
Existir
não é um simples "estar aí" como um objeto qualquer jogado no mundo.
É, fundamentalmente, habitar. Frequentemente, no entanto, somos tragados
pela banalidade do cotidiano e pela pressa impessoal, onde o tempo é visto
apenas como um recurso a ser consumido. Nesse estado, "passamos"
pelas horas sem nelas morar, esquecendo que somos o único ente capaz de se
perguntar pelo sentido daquilo que nos cerca.
A Clareira e o Ruído do Mundo
Muitas
vezes, buscamos a verdade em conceitos distantes, mas a realidade do Ser se
manifesta no silêncio de uma clareira interior. No meio da floresta
densa e ruidosa das nossas preocupações mundanas, existe esse espaço de
abertura onde a luz da existência pode finalmente brilhar. Não se trata de
fugir do mundo, mas de encontrar o centro onde a nossa humanidade deixa de ser
uma mera função biológica para se tornar o palco onde a própria Vida se
desvela.
A Finitude como Horizonte de Sentido
Nossa
existência é marcada pela fragilidade e pelo limite, mas é precisamente essa finitude
que confere urgência e beleza ao nosso caminhar. Ao compreendermos que o tempo
não é infinito, cada instante deixa de ser um "vazio" a ser
preenchido e torna-se um evento único.
ü O Desafio: Não é algo a ser superado
pela força bruta da vontade, mas uma convocação para a profundidade.
ü A Entrega: É o reconhecimento de que
não somos senhores absolutos da vida; somos cuidadores de uma existência que
nos foi confiada.
O Silêncio que Fundamenta
Em
um mundo dominado pela técnica e pelo resultado imediato, a espera e o silêncio
são frequentemente desprezados. Contudo, é na "pausa" que o alicerce
é construído. Assim como o som depende do silêncio para ser ouvido, a nossa
ação autêntica depende do recolhimento.
O
que parece demora é, na verdade, o tempo necessário para que a nossa estrutura
interna se torne vasta o suficiente para suportar o que o destino nos reserva.
O Convite à Autenticidade
Habitar
o instante é assumir a coragem de ser quem se é, sem as máscaras das
expectativas alheias. O corpo e a alma não são prisões, mas os meios pelos
quais o eterno se faz presente no agora. Quando caminhamos com essa
consciência, cada passo deixa de ser um deslocamento mecânico e torna-se um ato
de presença.
O
amanhecer é, portanto, o chamado para sairmos do anonimato das massas e
assumirmos nossa própria trajetória. Não somos seres finitos tentando alcançar
algo maior; somos a própria abertura por onde o sentido do mundo se manifesta,
experimentando a eternidade no coração do tempo.
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