Salmo
do Amanhecer ao Anoitecer
Por
Hiran de Melo
Ao nascer do Sol,
meu
coração desperta para o silêncio que sustenta todas as coisas. Recordo que o
Altíssimo não se apressa, mas age com sabedoria e propósito. O tempo é Seu dom,
e a confiança é o caminho. Que a luz da manhã traga discernimento às minhas
escolhas e serenidade aos meus pensamentos.
Durante o dia, aprendo a
caminhar sem ansiedade, acolhendo cada instante como revelação. O trabalho, a
pausa, o encontro e o silêncio são sinais da Presença que nunca me abandona.
Tudo é oportunidade de aprender a amar e de reconhecer o Mistério que me
envolve.
Ao pôr do Sol, meu coração se
inclina em gratidão. Obrigado pelas bênçãos que vi e pelas que passaram
despercebidas, mas me guardaram e fortaleceram. Entrego em Tuas mãos o peso das
horas, os pensamentos cansados e o coração que busca descanso. Que Tua paz
envolva minha mente e meu lar nesta noite, e que o dia que virá seja um novo
começo, cheio de proteção, sabedoria e vida.
Amém.
ANEXO:
Breve considerações
Introdução
O
Salmo do Amanhecer ao Anoitecer pode ser compreendidao como uma
meditação sobre o modo como o ser humano se relaciona com o tempo e com o
sentido da existência. O salmo não trata o tempo como mera sucessão de horas,
mas como abertura — um espaço em que o ser se revela e se deixa habitar pela
confiança.
Amanhecer
O
início do dia é descrito como despertar para o silêncio que sustenta todas as
coisas. Esse silêncio não é vazio, mas plenitude: é o campo onde o ser se
mostra. O “não se apressar” do Altíssimo indica que o tempo verdadeiro não é
cronológico, mas existencial — um tempo que pede confiança, não ansiedade. O
amanhecer é, portanto, a experiência de abertura ao mundo, onde discernimento e
serenidade surgem como modos de habitar o instante.
Durante o dia
O
caminhar sem ansiedade revela uma atitude de presença. Cada gesto — trabalho,
pausa, encontro, silêncio — é visto como manifestação daquilo que sustenta a
vida. O salmo sugere que o cotidiano não é banalidade, mas revelação. Amar e
reconhecer o Mistério são modos de estar no mundo que transcendem a utilidade
imediata: o dia é vivido como desvelamento, como oportunidade de deixar o ser
se mostrar em sua profundidade.
Anoitecer
Ao
pôr do sol, o coração se inclina em gratidão. Aqui, o tempo não é apenas
passagem, mas colheita: o vivido se recolhe e se entrega. O peso das horas e o
cansaço não são negados, mas oferecidos. O descanso é mais do que pausa
biológica; é retorno ao fundamento, confiança de que o ser continua sustentando
mesmo na escuridão. A noite não é ausência, mas promessa de novo começo.
Síntese
O
salmo revela uma compreensão do tempo como caminho de revelação: amanhecer, dia
e anoitecer não são apenas fases naturais, mas símbolos de como o ser humano
pode se abrir ao Mistério que o envolve. O ritmo do salmo mostra que a
existência não se reduz a tarefas ou preocupações, mas é convite à confiança,
gratidão e contemplação.
Em
outras palavras, o salmo traduz poeticamente a ideia de que o ser humano
encontra sentido não na pressa ou no controle, mas na escuta silenciosa do
tempo, onde cada instante é oportunidade de deixar-se habitar pelo sagrado.
RECOMENDAÇÕES
Apresento,
em seguida, uma meditação prática inspirada no Salmo do Amanhecer ao Anoitecer,
mostrando como cada parte pode se tornar atitude concreta no cotidiano:
Amanhecer — Abertura e Confiança
ü Prática: Ao acordar, reserve
alguns minutos em silêncio antes de iniciar as tarefas. Respire fundo e perceba
a luz que entra pela janela como sinal de que o dia é dom.
ü Atitude:
Em vez de começar com pressa, escolha uma intenção para o dia: “Hoje caminho
com serenidade”.
ü Sentido:
O amanhecer lembra que o tempo não é apenas cronológico, mas espaço de
revelação. A confiança substitui a ansiedade.
Durante o dia — Presença e Revelação
ü Prática:
No trabalho ou nas atividades, faça pequenas pausas conscientes. Observe o que
está à sua volta, reconheça cada gesto como parte de um todo maior.
ü Atitude:
Veja cada encontro como oportunidade de aprender a amar — mesmo nas situações
difíceis.
ü Sentido:
O cotidiano não é banalidade, mas lugar onde o Mistério se manifesta. O dia é
vivido como desvelamento, não como mera sequência de tarefas.
Anoitecer — Gratidão e Entrega
ü Prática:
Ao final do dia, escreva ou mentalize três coisas pelas quais é grato — mesmo
pequenas.
ü Atitude:
Entregue conscientemente os pesos e preocupações, como quem deposita algo nas
mãos de um guardião.
ü Sentido:
O pôr do sol é colheita: o vivido se recolhe e se transforma em gratidão. O
descanso é confiança de que a vida continua sustentada, mesmo na escuridão.
Noite — Descanso e Esperança
ü Prática:
Antes de dormir, desligue os ruídos externos e faça uma oração ou meditação
curta, pedindo paz para a mente e para o lar.
ü Atitude:
Deixe que o corpo repouse sem resistência, como quem se entrega ao cuidado
invisível.
ü Sentido:
A noite não é ausência, mas promessa de novo começo. O silêncio é fecundo,
preparando o amanhecer seguinte.
Assim, o salmo se torna não apenas poesia, mas
ritmo de vida: confiança ao amanhecer,
presença durante o dia, gratidão ao anoitecer e esperança na noite.
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