Salmo do Desvelamento e da Autenticidade
Por Hiran de Melo
Há dias em que apenas
continuo,
sem máscaras, sem forças, apenas sendo.
E nesse ser frágil, revela-se a verdade:
a autenticidade não é perfeição,
mas coragem de permanecer aberto ao Mistério.
Há um desvelar que remove
véus,
mesmo quando penso que nada acontece.
O coração se abre,
mostrando o que é verdadeiro,
o que precisa ser curado e transformado.
O tempo de espera não é
vazio,
é espaço de revelação,
onde aprendo a ser quem sou,
sem fugir, sem disfarçar,
acolhendo a verdade que emerge em mim.
Na clareira do ser,
descubro:
há um lugar onde a dor se torna testemunho,
onde o silêncio se torna palavra.
Autêntico diante da Vida,
percebo:
não preciso inventar caminhos,
pois o próprio Caminho se revela.
E no desvelar da presença que sustenta o mundo,
minha existência encontra sentido.
Amém.
ANEXO: Breve considerações
Introdução
O Salmo do Desvelamento e da Autenticidade
pode ser compreendido como uma meditação sobre o modo como o ser humano se
encontra diante da própria existência. O salmo se move entre fragilidade e
revelação, mostrando que o “continuar” sem máscaras não é um vazio, mas uma
abertura para que o ser se manifeste.
Pontos centrais da análise
ü
Fragilidade como
abertura
O início destaca o “apenas sendo”, sem forças
ou máscaras. Essa atitude não é uma falta, mas uma disposição para que o ser se
mostre. A vulnerabilidade torna-se condição de autenticidade.
ü
Desvelamento como
processo
O salmo fala de véus que são retirados,
revelando o que precisa ser curado. Isso remete à ideia de que a verdade não é
algo produzido, mas algo que se mostra quando o encobrimento é suspenso. O
desvelar não é um ato humano de domínio, mas um acontecimento.
ü
O tempo de espera
Longe de ser vazio, o tempo é descrito como
espaço de revelação. A espera não é passividade, mas um modo de estar em
relação ao ser, permitindo que a verdade emerja sem disfarces.
ü
A clareira
A imagem da “clareira do ser” é fundamental:
é o lugar onde o ser se mostra, onde dor e silêncio se transformam em
testemunho e palavra. A clareira não é construída, mas experimentada como
abertura.
ü
Autenticidade diante da
Vida
O salmo afirma que não é necessário inventar
caminhos, pois o Caminho se revela. A autenticidade consiste em deixar-se
conduzir pelo desvelar da presença, em vez de fabricar rotas artificiais.
ü
Sentido da existência
No final, a vida encontra sentido não por
esforço de construção, mas pelo desvelar daquilo que sustenta tudo. O sentido
não é imposto, mas recebido na experiência de abertura.
Síntese
O salmo traduz poeticamente uma experiência
de autenticidade: ser sem máscaras, esperar sem ansiedade, acolher o desvelar
que acontece na clareira da existência. A verdade não é posse, mas revelação; o
caminho não é invenção, mas manifestação. Nesse horizonte, a dor e o silêncio
deixam de ser obstáculos e tornam-se testemunhos do ser que se mostra.
RECOMENDAÇÕES
A
seguir, apresento uma meditação prática inspirada no Salmo do Desvelamento e da
Autenticidade, mostrando como cada parte pode se traduzir em
atitudes concretas no cotidiano:
Meditação prática do Desvelamento e da
Autenticidade
1. “Há dias em que apenas continuo,
sem máscaras, sem forças, apenas sendo.”
ü Prática: Permitir-se momentos de simplicidade, sem necessidade
de provar nada. No cotidiano, isso pode significar aceitar dias de cansaço sem
culpa, reconhecendo que o valor não está na performance, mas na presença.
2. “A autenticidade não é perfeição,
mas coragem de permanecer aberto ao Mistério.”
ü Prática: Cultivar a coragem de ser verdadeiro em conversas,
mesmo quando isso expõe fragilidades. No trabalho ou nas relações, falar com
honestidade em vez de buscar parecer impecável.
3. “Há um desvelar que remove véus,
mesmo quando penso que nada acontece.”
ü Prática: Exercitar a paciência diante de processos internos. Por
exemplo, ao meditar ou caminhar, confiar que transformações acontecem mesmo sem
resultados imediatos.
4. “O tempo de espera não é vazio, é
espaço de revelação.”
ü Prática: Transformar a espera em oportunidade de atenção plena.
Na fila, no trânsito ou em pausas, respirar fundo e observar o que emerge
dentro de si, em vez de buscar distrações automáticas.
5. “Na clareira do ser, descubro: há
um lugar onde a dor se torna testemunho, onde o silêncio se torna palavra.”
ü Prática: Dar espaço à dor sem abafá-la, escrevendo ou
compartilhando experiências como testemunho. Também aprender a valorizar o
silêncio, permitindo que ele seja um modo de comunicação.
6. “Autêntico diante da Vida, percebo:
não preciso inventar caminhos, pois o próprio Caminho se revela.”
ü Prática: Confiar mais na intuição e menos na necessidade de
controlar tudo. No cotidiano, isso pode significar aceitar imprevistos como
parte do fluxo, em vez de lutar contra eles.
7. “E no desvelar da presença que
sustenta tudo, minha existência encontra sentido.”
ü Prática: Reconhecer momentos de conexão — seja na natureza, em
um gesto de bondade ou em um instante de silêncio — como revelações de sentido.
Tornar-se atento a esses pequenos sinais que sustentam a vida.
Síntese meditativa
O salmo inspira uma prática cotidiana de
aceitação, presença e autenticidade. Ele convida a viver sem máscaras, a
valorizar o silêncio, a transformar a espera em revelação e a confiar que o
sentido da vida não é fabricado, mas desvelado.
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