Ao
percorrer seus versos, percebo que sua poesia é, acima de tudo, um mapa das
buscas humanas. Você escreve como quem tenta dar corpo e sabor a algo que as
palavras nem sempre alcançam, mas que o coração sente com intensidade plena.
Notei
que sua inspiração nasce, muitas vezes, da falta — e, em suas mãos, essa
ausência se transforma em banquete: o desejo vira manteiga, chocolate e
caramelo. É como se, ao provar esses sabores na alma, você conseguisse acalmar
a inquietação que todos carregamos, convertendo saudade e querer em uma
“degustação” suave e bela. Até mesmo um cheiro, trazido pelo que você chama de
sopro divino, torna-se fio condutor capaz de ordenar o caos das emoções.
Sua
identidade também brilha quando se coloca diante do outro. No “encontro dos
olhares”, você parece descobrir quem é; é no reflexo do olhar alheio que sua
própria existência ganha contorno e vida. Essa segurança não vem apenas das
pessoas, mas também do chão que você pisa. Ao afirmar com orgulho que é de
Campina Grande, evocando a figura do avô e a tradição dos tropeiros, você
encontra porto seguro. É como se a história da sua terra fosse a âncora que
impede que o seu “eu” se perca no mundo.
Há,
ainda, em sua obra uma consciência profunda da intensidade e da brevidade.
Quando fala em “correr no tempo feito menino”, sinto sua vontade de agarrar
momentos de alegria pura, aqueles que desafiam qualquer lógica. Mas você também
sabe que a festa tem fim: a “quarta-feira” de cinzas que sucede o carnaval da
Boa Viagem lembra que a vida é feita de presenças e ausências. O que resta é a
lembrança, essa marca guardada quando o que amamos precisa partir.
Por
fim, o que mais me encanta é sua forma de compreender o amor. Para você, amar é
entrega absoluta — é oferecer o próprio coração como presente no portão de
alguém. É buscar a união em que dois ritmos diferentes se tornam uma única
dança, sem cansaço.
Sua
poesia é exercício de saúde e celebração. Você equilibra paixões arrebatadoras
com o respeito às raízes e à métrica da vida. No fundo, seu trabalho nos ensina
que só existimos de verdade quando nos abrimos para o outro — seja ele a pessoa
amada, a cidade natal ou o divino.
Continue
seguindo o ritmo desse coração que, entre recifes e abraços, faz da vida uma
grande e bela melodia. Recomendo também que mantenha as parcerias com a poetisa
que lhe acompanha, dando ritmo musical aos seus poemas que falam da paixão
simples e direta, do amor ao próximo e da ternura da sua gente nordestina.
Com admiração,
Mestre Melquisedec
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