Entre a Cura e a Liberdade

Por Hiran de Melo

A máxima de que "a gratidão cura" carrega consigo uma verdade fisiológica e espiritual. Quando reconhecemos o bem, nosso corpo e mente entram em um estado de harmonia. Por lógica, a recíproca se impõe: a ingratidão, enquanto negação do laço e do reconhecimento, adoece. O peso do "não dito" e o amargor do esquecimento podem, de fato, intoxicar quem cultiva o ressentimento.

Entretanto, a verdadeira maestria emocional não reside em cobrar o reconhecimento alheio, mas na gratuidade do gesto.

A Liberdade de Amar sem Faturas

Viver esperando o "obrigado" é escravizar a própria bondade. Quando condicionamos nossa ajuda à gratidão do outro, transformamos afeto em transação comercial. Para que o ato de dar seja pleno, ele precisa ser autossuficiente.

Ø O Amor como Transbordamento: Amar "de graça" significa que o prazer está no ato de estender a mão, e não no retorno que ela pode trazer.

Ø A Imunidade ao Negativo: Se tudo o que é negativo adoece, a melhor vacina é não permitir que a ingratidão alheia contamine a nossa disposição de fazer o bem.

A Graça de Ter para Dar

No fim das contas, a maior cura não vem de fora, mas da consciência de quem ama. Ser capaz de oferecer algo — seja tempo, carinho ou auxílio — é o maior privilégio de todos. A "graça" não é um favor que se recebe, mas a abundância interna de quem tem tanto amor que ele transborda naturalmente, sem pedir licença e sem esperar recompensa.

 


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