O Que
Somos Nós?
Somos
Encontros em Florescimento
Por
Hiran de Melo
Não somos apenas mentes que processam o
mundo. Somos a expressão de uma vida que vibra, uma luz mansa que nos atravessa
em forma de afeto, sonho e propósito. Essa energia não ignora a razão; ela a
convida para uma dança, sendo o pulsar generoso que sustenta nossos passos, o
ritmo sutil que nos lembra que estamos vivos e que nunca estamos sós.
O que vemos ao nosso redor não é um véu que
nos separa da verdade, mas uma ponte. O mundo é o jardim onde nossa essência se
manifesta. O corpo não é apenas uma porta para o mistério, mas o lugar onde o
milagre acontece: é nele que o toque se transforma em conforto e o olhar se
converte em acolhimento. Cada gesto de carinho é a linguagem dessa força vital
que escolhe, todos os dias, o caminho do amor.
Fragmentos que se Tecem
Somos, sim, fragmentos em movimento, mas não
estamos perdidos. Somos partes de um todo maior, guiados por uma intuição que
sabe que a felicidade se encontra no compartilhar. A racionalidade, em vez de
um véu sobre o abismo, é a ferramenta com que construímos abrigos e pontes. Ela
organiza o cenário para que o coração possa, enfim, se expressar com segurança.
A Vontade como Criação
Somos vontade que se encarna em presença e
consciência. E, embora essa vontade nos impulsione a buscar sempre mais, essa
busca não precisa ser um ciclo de frustração. Ela pode ser a eterna descoberta.
A vida não é uma dança entre querer e sofrer, mas uma sinfonia entre o desejo
de ser e a alegria de pertencer. A razão não é mera espectadora; ela é a mão
que segura a batuta, ajudando-nos a transformar o impulso em beleza.
Onde Mora a Luz
Essa visão nos revela que existir não é estar
acorrentado a uma sede eterna, mas estar mergulhado em uma fonte de
possibilidades. As frestas de luz que mencionamos não são apenas pausas; elas
são o nosso estado natural.
A arte nos ensina a ver, a contemplação nos
ensina a ouvir e a compaixão nos ensina a ser. Nessas pausas, não encontramos
apenas o silêncio, mas uma plenitude mansa. Descobrimos que o verdadeiro
sentido de ser não se esconde na ausência de desejo, mas na delicada capacidade
humana de transformar o "querer" em "cuidar".
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