O que somos nós?

Somos produtos e produtores do social

Hiran de Melo

Talvez não haja resposta definitiva, pois o humano não é uma essência pronta, mas um vir-a-ser incessante. Somos tecidos por experiências, atravessados por forças invisíveis, moldados por estruturas que nos precedem e que, ao mesmo tempo, recriamos a cada gesto.

Ø  Disposições incorporadas: em cada passo, carregamos marcas do passado — modos de pensar e agir que se tornaram quase naturais, gravados pela família, pela escola, pela classe social, pelas memórias que nos habitam.

Ø  Espaços sociais: caminhamos por arenas múltiplas — educação, arte, política, ciência — cada qual com suas regras e disputas. Nossa identidade não é fixa: ela se desloca, se reinventa, se fragmenta conforme nos movemos nesses territórios.

Ø  Recursos e reconhecimentos: o lugar que ocupamos não é apenas fruto do acaso, mas daquilo que portamos — bens materiais, saberes, vínculos, símbolos. São moedas invisíveis que definem nossa posição no jogo social.

Ø  Tramas de poder: não existimos isolados. Somos fios entrelaçados em redes de dominação e resistência. O “nós” é sempre atravessado por desigualdades, mas também por possibilidades de ruptura.

Em síntese meditativa

Somos, ao mesmo tempo, resultado e motor da sociedade. Não há um “eu” puro fora das condições históricas que nos moldam. O que somos é inseparável das forças que nos atravessam, mas também das escolhas que nos permitem repetir ou transformar essas forças.

Talvez possamos dizer, em tom provocativo e poético:
somos aquilo que o mundo social fez de nós — e também aquilo que ousamos fazer do mundo social.

 

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