O que somos nós?
Somos singularidades em movimento
Por Hiran de Melo
A
pergunta não busca uma essência fixa, nem uma verdade última. Ela abre um
espaço de silêncio e de inquietação, convidando-nos a olhar para os caminhos
que nos moldam. Não nascemos prontos: vamos nos tornando, atravessados por
discursos, memórias, afetos e forças invisíveis que nos constituem.
Não
somos sujeitos acabados, mas singularidades em movimento. Talvez a questão não
seja “quem somos?”, mas “o que estamos fazendo de nós mesmos?”. Somos obra em
processo, escrita em aberto, sempre à beira de se refazer.
O presente como campo de investigação
Interrogar
o presente é como escavar um terreno vivo: nele se revelam as condições que nos
formam, os saberes que nos orientam, os valores que nos atravessam. Não se
trata de alcançar uma verdade definitiva, mas de abrir espaço para a
metamorfose, para a invenção de modos de existir que escapem ao que aprisiona.
Ética como criação de si
A
ética, nesse horizonte, não é norma rígida, mas arte de viver. É prática de
liberdade: relação consigo mesmo que resiste ao peso das formas estabelecidas e
ousa experimentar novas possibilidades. É o gesto de se reinventar, de
transformar a própria vida em obra, em exercício de criação contínua.
Em síntese
O
que somos nós só pode ser respondido na travessia — histórica, crítica,
poética. Somos efeitos de forças que nos atravessam, mas também portadores da
potência de nos transformar. A cada gesto, a cada escolha, reinventamos nossa
subjetividade. E é nesse movimento, sempre inacabado, que a pergunta permanece
viva, como um enigma que nos sustenta e nos convoca.
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