O que somos nós?

Somos um acontecer

Por Hiran de Melo

Não somos apenas criaturas racionais, nem espectadores distantes de um mundo que se desenrola fora de nós. Nossa condição é mais íntima e radical: somos parte inseparável do tecido da existência, atravessados por relações, lançados no fluxo da vida.

Ø Ser-no-mundo: não existe solidão absoluta; cada gesto nos entrelaça às coisas, às pessoas, às circunstâncias que nos envolvem.

Ø Existência: não carregamos uma essência fixa. Somos abertura, movimento, projeto — seres que se antecipam ao futuro e se reinventam a cada instante.

Ø Temporalidade: o tempo não é apenas o compasso dos relógios. Ele pulsa em nós: memória que nos sustenta, presente que nos absorve, horizonte que nos chama.

Ø Finitude: a morte nos recorda que não somos infinitos. Essa consciência não é apenas limite, mas revelação: nela se desvela a verdade mais própria de quem somos.

Assim, não somos uma forma acabada, mas um acontecer. Nossa identidade não repousa em definições rígidas; ela se tece na maneira como habitamos o mundo, nas escolhas que nos atravessam, na coragem de encarar nossa própria finitude.

Em última instância, a pergunta “o que somos nós?” não se resolve em conceitos abstratos. Ela se responde no viver — na entrega ao instante, na abertura às possibilidades, na aceitação de que ser é sempre vir-a-ser.

 


Somos um acontecer

Somos em todos os tempos, em todas as extensões do verbo.
Somos o que já se cumpriu, o que pulsa agora, o que ainda se anuncia.

Somos o sopro que atravessa,
o instante que se acende,
o horizonte que nos chama.

Não somos forma acabada, mas fluxo.
Não somos substância imóvel, mas travessia.
Cada gesto nos reinventa, cada silêncio nos revela.

Somos memória e promessa,
presença e ausência,
raízes e voo.

E nesse movimento sem fim,
somos o próprio acontecer —
a vida que se desdobra,
o ser que nunca se encerra.

 

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