O que somos nós?

Um enigma que se desdobra em silêncio

Hiran de Melo

A pergunta ecoa como um enigma que nunca se resolve por completo. Somos razão e liberdade, capazes de criar princípios que nos guiam e de assumir responsabilidade por nossas escolhas. Não apenas parte da natureza, mas também autores de uma lei moral que nos transcende.

Habitamos duas dimensões: o mundo visível, feito de corpo e experiência, e o invisível, onde repousa uma essência que escapa ao nosso alcance. Essa duplicidade nos torna limitados e, ao mesmo tempo, infinitos em dignidade.

Nosso conhecimento é finito: vemos apenas o contorno das coisas, nunca sua essência última. Mas reconhecer esse limite é força, pois nos abre à crítica e ao uso consciente da razão.

Cada ser humano é um fim em si mesmo, portador de valor absoluto. Não há preço que nos defina, apenas dignidade.

As grandes perguntas

Ø  O que posso saber? O nosso olhar alcança apenas o mundo dos fenômenos, mas ainda assim organiza a experiência.

Ø  O que devo fazer? Agir com justiça, tratando cada pessoa como fim, nunca como meio.

Ø  O que me é permitido esperar? Que a esperança em felicidade e plenitude nos projete além do sensível, em direção a uma ordem moral perfeita.

Ø  O que somos nós? A síntese de todas: seres racionais e livres, limitados no saber, mas abertos à esperança. Cidadãos de dois mundos — o natural e o moral.

Assim, a pergunta sobre quem somos revela um paradoxo: finitos em nosso conhecimento, mas infinitos em nossa dignidade. Entre o limite e a transcendência, somos chamados a viver como portadores de princípios universais, capazes de dar sentido à existência.

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