O que somos nós?
Um mosaico em constante rearranjo
Hiran de Melo
Talvez
sejamos mais próximos de um enigma do que de uma resposta. Não uma unidade
cristalina, mas um mosaico em constante rearranjo, feito de forças que se
atraem e se repelem, de desejos que nos empurram e de limites que nos contêm.
As camadas invisíveis
ü Há
em nós um fogo primitivo, que clama por prazer imediato.
ü Há
também uma razão vigilante, que tenta domar esse fogo e dar-lhe forma.
ü E
há uma voz silenciosa, impregnada de valores e culpas, que nos julga e nos
orienta.
Nossa
identidade nasce do choque entre essas dimensões. Somos atravessados por
correntes subterrâneas, por desejos que não ousamos confessar, mas que nos
guiam como rios ocultos sob a terra.
O inconsciente como abismo
Grande
parte do que nos move não se mostra à luz. Memórias soterradas, traumas que
ainda respiram, fantasias que não ousam se revelar — tudo isso pulsa em
silêncio, moldando quem somos sem pedir permissão. O controle que acreditamos
ter é apenas uma superfície frágil sobre um oceano profundo.
Em síntese provocativa
ü Somos desejo,
guiados por forças invisíveis que nos desnudam.
ü Somos conflito,
tentando conciliar prazer, realidade e moral, sem jamais alcançar paz plena.
ü Somos incompletude,
sempre em busca de algo que escapa, sempre sedentos de um sentido que nunca se
fixa.
Nossa
identidade não é estática, não é transparente. É feita de ambivalência, de
falta, de movimento incessante. Somos seres que carregam dentro de si tanto a
luz quanto a sombra — e talvez seja justamente nesse entrelaçar de opostos que
reside a nossa essência.
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