O saber religioso como instrumento de ascensão política

Por Hiran de Melo

Introdução

O saber religioso, ao longo da história, tem se mostrado um poderoso recurso de legitimação social e política. No Brasil contemporâneo, a atuação de lideranças evangélicas, a exemplo de  Silas Malafaia, evidencia como discursos religiosos podem ser mobilizados para sustentar projetos de poder. A fé, nesse contexto, não se restringe ao campo espiritual, mas se converte em capital simbólico capaz de organizar práticas, disciplinar condutas e orientar escolhas políticas.

Religião como dispositivo de poder

O saber religioso opera como um dispositivo que articula crença, obediência e identidade coletiva. Ao estabelecer normas de conduta e valores morais, cria um campo de verdade que orienta os fiéis não apenas na esfera espiritual, mas também na política. A autoridade pastoral se expande para além do púlpito, alcançando o espaço público e legitimando posições políticas como se fossem extensões da vontade divina.

Controle e disciplinamento

Nestes casos, a liderança evangélica exerce um controle que ultrapassa o âmbito religioso. A orientação explícita do voto, a vinculação da prosperidade espiritual ao engajamento político e a construção de uma identidade coletiva baseada em valores cristãos funcionam como mecanismos de disciplinamento. O fiel, ao obedecer ao pastor, internaliza uma lógica de submissão que se traduz em apoio político.

Produção de discursos e marketing político-religioso

O discurso religioso, ao ser difundido em programas televisivos, redes sociais e grandes eventos, transforma o líder em marca. Essa marca carrega autoridade espiritual e política, convertendo fé em capital eleitoral. A retórica genérica sobre “defesa da família”, “valores cristãos” e “combate ao inimigo” cria uma narrativa mobilizadora, suficientemente ampla para englobar diferentes públicos e suficientemente vaga para se adaptar a qualquer conjuntura.

Impacto sociológico

Em contextos de crise social e moral, o saber religioso oferece respostas simples e imediatas. A promessa de ordem, prosperidade e proteção divina funciona como mecanismo de esperança coletiva. Esse recurso simbólico é instrumentalizado para legitimar candidaturas e projetos de poder, transformando a fé em ferramenta de ascensão política.

Por enquanto

O caso da Igreja Evangélica liderada por Silas Malafaia revela como o saber religioso pode ser colocado a serviço da política. A fé, convertida em dispositivo de poder, disciplina corpos, organiza coletividades e legitima projetos de dominação. Nesse processo, o religioso deixa de ser apenas transcendência e se torna estratégia de poder, mostrando que a política contemporânea não pode ser compreendida sem considerar a força dos discursos religiosos.

Testemunho de um Pastor:

https://youtu.be/75q5yC_SQTE?si=1Loh7vQxoWK7zSu-

 


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