Oração
pela Família
Por
Hiran de Melo
Colocamos nossa família
diante do Ser, como quem confia o que é mais precioso ao silêncio que sustenta
todas as presenças.
Que cada um de nós seja
guardado na clareira do Teu olhar, mesmo quando os caminhos nos lançam em
horizontes distintos. Que nossa casa não seja apenas paredes, mas lugar de
habitar, de escuta e de paz.
Se houver feridas, que o
Ser nos revele o sentido do cuidado. Se houver desencontros, que o diálogo seja
ponte. Se houver carência, que a abertura ao Mistério seja abundância.
Ensina-nos a amar com
paciência, a falar com ternura, a perdoar com liberdade. Que nossos laços sejam
raízes que nos firmam no chão, e asas que nos chamam ao horizonte do possível.
Abençoa nossa família com
saúde do corpo e do coração, com união que não aprisiona, mas liberta, com
serenidade que nasce da confiança no Ser.
Que nunca nos falte fé
para atravessar as noites, respeito para honrar o enigma do outro, e amor para
reconhecer em cada rosto a presença do Infinito.
No Ser repousamos, no Ser
nos sustentamos, no Ser nos tornamos família.
Amém.
Breve glossário
- Clareira: o espaço aberto onde o Ser se
revela.
- Habitar: a casa como lugar existencial, não
apenas físico.
- Mistério: a dimensão do Ser que nunca se
esgota.
- Horizonte: o futuro como possibilidade, não
como certeza.
Meditação sobre a Família
Habitar é mais do que
ocupar um espaço: é permanecer na clareira do Ser, onde cada encontro revela o
mistério do existir. A família, nesse horizonte, não é apenas um conjunto de
pessoas ligadas por sangue ou convivência, mas um ser-com-os-outros —
uma abertura compartilhada ao mundo, ao tempo e ao destino.
Na família experimentamos
a tensão entre raízes e asas: raízes que nos firmam na terra do cotidiano, asas
que nos chamam ao possível ainda não realizado. É nesse entrelaçamento que
aprendemos a escutar, a cuidar, a perdoar — não como gestos morais isolados,
mas como modos de ser que nos aproximam da verdade do existir.
O lar, então, não é
apenas abrigo físico, mas lugar de habitar poeticamente: espaço onde o
silêncio pode ser escutado, onde o outro é reconhecido em sua alteridade, e
onde o tempo se revela não como mera sucessão de instantes, mas como abertura
para o sentido.
Assim, a família é uma
pequena clareira dentro da vastidão do Ser: um lugar onde aprendemos que o amor
não é posse, mas liberdade; que o respeito não é imposição, mas reconhecimento;
e que a fé não é fuga, mas coragem de permanecer diante do mistério.
Essa meditação procura
traduzir a oração em termos existenciais:
- Ser-com-os-outros:
a família como modo de ser compartilhado.
- Habitar poeticamente:
o lar como espaço de sentido, não apenas físico.
- Clareira:
abertura onde o Ser se revela.
- Tempo:
não como cronologia, mas como horizonte de possibilidades.
Comentários
Postar um comentário