Espiritualidade e Existencialismo

A luz que acolhe

Por Hiran de Melo

Às vezes recebemos uma mensagem que nos deseja uma noite de paz, fala de pensamentos positivos, de boas energias, de meditação e do amor de Jesus.

E há, nisso, uma intenção bonita: desejar o bem.

Talvez, porém, possamos ir um pouco além.

Nem todo pensamento triste precisa ser afastado. Nem toda dor é uma energia negativa que devemos evitar. Há momentos em que o coração precisa simplesmente ser escutado.

O luto precisa de tempo.
A tristeza precisa de acolhimento.
A indignação pode nos lembrar que alguma coisa precisa mudar.
E até o medo, quando compreendido, pode nos ensinar alguma coisa sobre nós mesmos.

Talvez a verdadeira serenidade não esteja em expulsar tudo aquilo que nos incomoda, mas em aprender a olhar para aquilo que nos habita sem transformar a nossa dor em culpa.

Também a fé pode ser mais do que uma palavra bonita no final de uma mensagem.

Quando invocamos o amor de Jesus, talvez estejamos falando justamente de um amor que acolhe antes de julgar, aproxima antes de excluir e transforma antes de condenar.

Meditar, então, não seria fugir da realidade, mas permanecer diante dela com mais consciência.

Porque a vida não é feita somente de dias luminosos. Há sombras que também fazem parte do nosso caminho.

E talvez a verdadeira luz não seja aquela que apaga as sombras, mas aquela que nos permite atravessá-las sem perder a esperança.

Que nesta noite possamos desejar uns aos outros não apenas pensamentos positivos, mas coragem para sentir, serenidade para compreender e amor para continuar.

Que o amor de Cristo, para quem nele crê, habite nossos corações — e que esse amor também se transforme em gesto, cuidado e presença.

Uma linda e serena noite para todos nós.

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