Espiritualidade e Existencialismo


PEDALAR JUNTOS

Por Hiran de Melo

No começo, pedalamos depressa.

Havia pressa no caminho,
urgência no encontro,
e nossas mãos se procuravam
como se o mundo pudesse acabar amanhã.

Depois vieram os anos.

E aprendemos que pedalar juntos
não significa correr na mesma direção.

Significa saber diminuir o ritmo quando o outro precisa.

É esperar.

É compreender.

É permanecer.

Porque haverá dias em que você estará forte
e eu estarei cansado.

E haverá dias em que será a minha mão
aquela que você precisará segurar.

Talvez seja isso que o tempo ensina:

a amizade não precisa permanecer igual ao que era.
Precisa apenas permanecer verdadeira.

Porque o tempo não conserva as relações.

Ele as revela.

Mostra quem permanece quando a velocidade diminui,
quando o entusiasmo passa
e quando o caminho deixa de ser fácil.

Um dia, talvez nossos pedais girem mais lentamente.

Mas, se ainda houver uma mão procurando a outra,
se ainda houver vontade de seguir lado a lado,
então não teremos envelhecido em vão.

Porque a verdadeira amizade
não é aquela que promete ausência de medo,
de cansaço ou de dificuldades.

É aquela que, mesmo diante do medo,
continua pedalando conosco.

E quando já não houver pressa para chegar,
talvez finalmente compreendamos:

o destino nunca foi chegar.

Era seguir juntos.

Era pedalar juntos.

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