O Desejo Messiânico e a Construção de uma
Sociedade Autêntica à Luz da Maçonaria
Da Pedra Bruta à Luz Interior: um chamado
à obra coletiva
Por Hiran de Melo
A
ideia de um Messias, longe de ser apenas uma figura religiosa ou histórica,
pode ser compreendida como símbolo de um impulso humano universal: o desejo de
transformação, de libertação e de sentido. Esse desejo, quando visto à luz da
Maçonaria, revela-se como um chamado interior para que cada iniciado reconheça
em si a centelha que o torna capaz de participar da obra coletiva de construção
de uma sociedade mais justa e verdadeira.
O Messias Interior e o Trabalho
Iniciático
Na
tradição maçônica, não se espera por um salvador externo. O verdadeiro trabalho
é o de despertar o Messias interior — a força criadora que habita em cada ser
humano. Esse despertar não é instantâneo, mas fruto de estudo, reflexão e
prática constante. Assim como o aprendiz lapida a pedra bruta, o iniciado é
chamado a transformar-se por dentro, para que sua própria vida se torne
testemunho de luz e exemplo de construção.
A Transvaloração como Caminho de
Liberdade
A
Maçonaria não se limita à conservação de tradições; ela convida à reinvenção. O
desejo messiânico, entendido como impulso criador, é também a coragem de
transvalorar — de romper com valores que aprisionam e abrir espaço para novas
possibilidades. Esse movimento é essencial para que a Ordem permaneça viva e
relevante, pois não basta repetir ritos: é preciso compreender seu espírito e
recriá-lo à luz das necessidades humanas de cada tempo.
Da Nostalgia à Ação Coletiva
O
desejo por um Messias pode ser confundido com nostalgia de um passado
idealizado. Mas, para o maçom, ele é sobretudo impulso de ação. É recusa da
injustiça, é responsabilidade diante da opressão, é participação ativa na
construção de novas formas de convivência. A verdadeira pertença à Ordem não é
submissão, mas compromisso com a obra coletiva. Cada Loja, cada reunião, cada
gesto de fraternidade é parte de um esforço maior de edificação social.
A Iluminação como Tarefa Comum
Cada
iniciado é portador de luz, mas essa iluminação não é privilégio individual. É
tarefa coletiva. A Maçonaria ensina que o trabalho não se encerra no templo:
ele se prolonga na vida, na família, na sociedade. É no encontro entre
consciências despertas que nasce uma sociedade autêntica, capaz de se
reinventar e de se reconhecer como obra viva.
O Chamado Maçônico
O
chamado é simples e profundo: estudar, refletir, transformar. Participar da
criação de um mundo que não se constrói pela espera, mas pela ação. Um mundo em
que cada gesto de coragem, cada ato de responsabilidade, cada palavra de
esperança se torna parte de uma obra maior.
Comentário do Mestre Melquisedec
Este
artigo, voltado para maçons, é um convite à ação consciente: que cada iniciado
reconheça em si a centelha transformadora e a coloque a serviço da construção
coletiva. A Maçonaria, nesse sentido, não é apenas guardiã de símbolos, mas
oficina de homens livres e iluminados, capazes de transvalorar o mundo e
torná-lo mais justo, mais fraterno e mais verdadeiro. De modo que:
E quando cada voz se
unir,
quando cada gesto se somar,
quando cada centelha se acender,
a escuridão já não terá lugar.
Seremos muitos, mas
seremos um.
Seremos diferentes, mas seremos verdadeiros.
Seremos frágeis, mas seremos fortes.
E nesse instante, o
Messias interior deixará de ser promessa
para se tornar presença viva,
tecida em cada encontro,
em cada ato de coragem,
em cada passo rumo a uma sociedade autêntica.
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